Home
>
Blockchain e Criptomoedas
>
Cripto e o Setor Imobiliário: Transformando a Compra e Venda

Cripto e o Setor Imobiliário: Transformando a Compra e Venda

27/01/2026 - 02:40
Giovanni Medeiros
Cripto e o Setor Imobiliário: Transformando a Compra e Venda

O avanço das criptomoedas e da tecnologia blockchain tem aberto novas perspectivas para o mercado imobiliário. Neste artigo, exploramos como a tokenização de ativos, a chegada do Drex e os contratos inteligentes estão reconfigurando processos, reduzindo custos e democratizando o acesso ao investimento em imóveis.

Tokenização de Ativos Imobiliários

A tokenização converte imóveis em ativos digitais negociáveis em blockchain, elevando a liquidez e a transparência do setor. No Brasil, a parceria entre Rooftop e MB | Mercado Bitcoin resultou em operações que movimentaram R$ 17,2 milhões em duas ofertas tokenizadas.

Os tokens ROOF03 e ROOF04 foram lastreados em unidade de alto padrão no condomínio Quinta da Baroneza, atraindo mais de 2 mil investidores e permitindo aportes a partir de R$ 100. O ticket médio ficou em torno de R$ 6 mil, com retorno projetado de IPCA mais 13% ao ano e pagamentos mensais de aluguel.

Em apenas 72 dias, a estruturação e emissão foram concluídas, provando a eficiência do processo blockchain. Globalmente, o mercado de ativos tokenizados (excluindo stablecoins) deve saltar de US$ 36 bilhões para cerca de US$ 400 bilhões até 2026, com potencial de migrar US$ 664 trilhões de ativos do mundo real.

Drex (Real Digital) e Contratos Inteligentes

O Drex, moeda digital do Banco Central do Brasil, chega em 2026 para operar com o mesmo valor da moeda física, mas em ambiente totalmente eletrônico. Emitido e controlado pelo Estado, garante estabilidade e confiabilidade dentro do Sistema Financeiro Nacional.

Integrado a contratos inteligentes, o Drex automatiza pagamentos de compra e venda de imóveis: ao registrar a transferência de propriedade em cartório, o sistema libera o valor automaticamente, reduzindo riscos de inadimplência e disputas contratuais.

  • Redução de burocracias complexas
  • Segurança jurídica reforçada
  • Pagamento automático e instantâneo
  • Transparência em cada etapa

Democratização do Acesso ao Investimento

A tokenização divide um imóvel em frações digitais, permitindo que investidores adquiram cotas a partir de valores acessíveis. Esse modelo lembra fundos imobiliários, mas oferece maior flexibilidade e liquidez.

Com aportes mínimos de R$ 100, pessoas físicas participam de empreendimentos antes restritos a grandes players institucionais, democratizando o mercado e promovendo inclusão financeira de pequenos investidores.

O exemplo da Rooftop demonstra como um imóvel de alto padrão pode ser acessível a milhares de pessoas, gerando renda passiva e potencial valorização do capital investido.

Produtos de Renda Variável Tokenizados

Além de imóveis, empresas estão emitindo renda variável tokenizada. A primeira operação pela Rooftop movimentou R$ 1,5 milhão, com a participação de 266 investidores e ticket médio de R$ 5.600.

Esse formato combina características de dívida e remuneração variável, baseada na receita bruta da empresa. O retorno pode chegar a até 2,8 vezes o valor investido em cenário otimista.

Contexto Regulatório e Desafios Jurídicos

Em 2023 e 2024, o Brasil aprovou marcos legais para ativos virtuais, trazendo maior previsibilidade e atraindo players globais. O Congresso debate ainda regras específicas para stablecoins e corretoras digitais.

No entanto, surgem desafios, como proteção de dados pessoais, confidencialidade das transações e definição de responsabilidades em falhas tecnológicas. É essencial contar com regulamentação clara e robusta para garantir direitos de propriedade e segurança dos investidores.

Advogados e órgãos reguladores devem elaborar normas que acompanhem a inovação, assegurando a integridade das operações e prevenindo fraudes.

Participação Institucional e Casos de Uso Futuro

Fundos de investimento, gestoras e bancos já ampliam a oferta de produtos atrelados a criptoativos, impulsionando a profissionalização do mercado. Instituições como o BTG Pactual têm se destacado na popularização desses ativos.

  • Pagamentos internacionais instantâneos
  • Tokenização de obras de arte e precatórios
  • Validação de documentos em processos jurídicos
  • Programas de fidelidade em cripto

Em 2026, veremos ainda:

  • Integração com Internet das Coisas (IoT) para monitoramento de propriedades
  • Contratos inteligentes personalizados para cada tipo de transação
  • Soluções híbridas entre on-chain e off-chain para maior eficiência

O futuro do setor imobiliário se baseia na fusão entre ativos do mundo real e tecnologia de ponta. Essa revolução traz mais agilidade, segurança e inclusividade, redefinindo como compramos, vendemos e investimos em imóveis.

A era da criptoeconomia no mercado imobiliário chegou para ficar e promete transformar a forma como acessamos riqueza, distribuímos renda e construímos patrimônio.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros é autor no GuiaForte, com foco em conteúdos práticos sobre planejamento, desenvolvimento pessoal e estratégias para evolução consistente.