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Cyber-riscos e Fintech: Protegendo-se de Ataques Digitais

Cyber-riscos e Fintech: Protegendo-se de Ataques Digitais

31/01/2026 - 15:38
Giovanni Medeiros
Cyber-riscos e Fintech: Protegendo-se de Ataques Digitais

O universo das fintechs vive uma era de transformações rápidas e, ao mesmo tempo, de perigo constante. A tecnologia permite inovação sem precedentes, mas expõe empresas financeiras a ataques digitais cada vez mais sofisticados. Neste artigo, exploraremos as ameaças, casos reais, regulações e práticas que ajudarão sua instituição a se tornar resiliente.

O Estado Atual da Cibersegurança em Fintech

O setor financeiro e fintech enfrenta um cenário desafiador. Dados recentes apontam um aumento de 53% em ciberataques, com mais de 4.400 incidentes registrados apenas em 2024. Estima-se que o cibercrimen global alcance 10,5 bilhões de dólares em 2025, e ultrapasse os 15 bilhões em 2030 caso não haja reação coordenada.

Além disso, redes sociais têm se consolidado como vetor principal de distribuição de malware, enquanto o malware bancário em ressurgimento ameaça diretamente a segurança dos clientes. Este panorama exige compreensão profunda e planejamento estratégico.

Principais Ameaças em 2025

As fintechs precisam estar atentas aos vetores de ataque que evoluem constantemente. Entre as mais críticas, destacam-se:

  • Mensagens altamente convincentes de phishing, personalizadas para executivos e equipes de TI;
  • Ransomware com dupla extorsão: cifragem de dados e ameaça de divulgação pública;
  • Ataques de furto de criptomoedas explorando vulnerabilidades em contratos inteligentes;
  • Estratégias baseadas em IA: malwares que se adaptam e deepfakes para fraude autoral;
  • Servidores expostos e sistemas obsoletos funcionam como porta de entrada.

Essas táticas podem ser combinadas, criando campanhas multivetoriais capazes de comprometer redes internas e, em última instância, roubar ativos ou dados sensíveis.

Casos Notáveis e Lições Aprendidas

Em junho de 2024, o Evolve Bank and Trust foi vítima do grupo Lockbit 3.0. Após infiltração, dados de clientes foram expostos na dark web e exigiu-se resgate imediato. Este episódio ilustra a urgência de estratégias de resposta rápida e monitoramento em tempo real.

O grupo Lazarus, por sua vez, utilizou identidades falsas para se infiltrar em empresas tecnológicas antes de atacar fintechs. A sofisticação de suas táticas revela o quão importante é a verificação de identidade e o monitoramento de acessos privilegiados.

Esses incidentes reforçam duas lições:

  • Investir em sistemas de detecção avançada;
  • Desenvolver planos de recuperação e contingência.

Por que o Setor Fintech é Vulnerável

A natureza das fintechs—líquida, dinâmica e focada em inovação—também as torna alvo prioritário de cibercriminosos. Entre os fatores que aumentam o risco, destacam-se:

Somado a isso, a escalada de ameaças digitais exige que toda a cadeia de valor, de desenvolvedores a executivos, assuma uma postura de responsabilidade compartilhada em segurança.

Medidas Regulamentares e Conformidade no Brasil

Para fortalecer o arcabouço legal, o Banco Central e órgãos reguladores implementaram:

  • Instrução Normativa que equipara fintechs a bancos tradicionais, exigindo reporte de incidentes e fornecimento de registros via e-Financeira;
  • Limites de transações via Pix e TED para instituições não autorizadas, protegendo contra fraudes de alto valor;
  • Capital mínimo de R$ 15 milhões para Prestadores de Serviços de TI, com prazo de quatro meses para adequação;
  • Uso de inteligência artificial para fiscalização de operações suspeitas, em parceria com autoridades policiais.

Essas medidas representam um avanço, mas dependem de protocolos internos robustos e da colaboração ativa entre setor público e privado.

Boas Práticas e Estratégias de Proteção

Implementar soluções tecnológicas é apenas parte do caminho. É imprescindível:

  • Adotar autenticação multifator e gestão rigorosa de identidades;
  • Realizar treinamentos contínuos de conscientização de segurança para todas as equipes;
  • Executar simulações regulares de incidentes e avaliações de vulnerabilidade;
  • Monitorar logs em tempo real com sistemas de SIEM e resposta a incidentes.

Criar uma cultura organizacional voltada à cibersegurança transforma colaboradores em aliados, não apenas em barreiras técnicas.

Conclusão e Chamado à Ação

O desafio da proteção digital em fintechs não é apenas tecnológico, mas sobretudo humano. A automação e adaptação de malware são realidades, mas podem ser neutralizadas com equipes preparadas e processos bem definidos.

Mais do que reagir a ataques, é preciso antecipá-los. Investir em inovação segura, colaborar com reguladores e compartilhar inteligência torna cada instituição mais forte e confiável.

Agora é o momento de agir. Reúna sua equipe, revise políticas, teste defesas e construa um futuro financeiro digital que inspire confiança e criatividade—sempre protegido contra as sombras dos ataques cibernéticos.

Referências

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros é autor no GuiaForte, com foco em conteúdos práticos sobre planejamento, desenvolvimento pessoal e estratégias para evolução consistente.